terça-feira, 8 de abril de 2008

Difficultés da vida

Pois é, para além de todas as peripécias pelas quais todos nós passámos um pouco, nomeadamente para arranjar um cantinho ao qual tentamos chamar de lar, mas o qual acaba por ser o nosso refúgio, encontrámos também a dificuldade da língua. Já foi tempo em que o francês era considerada a segunda língua em Portugal, mas que logo após o 25 de Abril foi destituída pela língua inglesa, ou melhor dizendo pelo dialecto americano.
No meu caso, ainda relembrava de alguns "mots", pelo que apenas sentia a dificuldade normal na construção das frases para não falar do "accent". Sempre que me dirigia a alguém era a frustação que se apoderava de mim, pois tinha que repetir sempre duas e três vezes e no fim se tinha p.ex. pedido uma cerveja apareciam-me logo com uma bebida que era tudo menos bière.
Já para não falar das ditas traduções à letra ou então por semelhança, como foi o meu caso, pois nos primeiros dias de estadia sempre que ia tomar café perguntava: c'est quand? - diga-se desde já tradução exemplar, pois de: quanto é? passei para algo do tipo: - para quando?, imaginem já a cara de admiração das serveuses e dos serveurs quando eu com o meu ar todo inocente e ao mesmo tempo de contente por achar que estava a falar o francês tal como se tivesse acabado de terminar uma pós-graduação em língua francesa.
Mas a melhor de todas foi ao fim de alguns meses. Entrei eu num café onde estavam algumas compatriotas, todas elas senhoras muito simpáticas e de idade, digamos ligeiramente adiantada, e que se encontravam acompanhadas de uma senhora essa sim de nacionalidade francesa. Quando terminei de as cumprimentar, eis que me apercebo que tinha cometido o erro de não cumprimentar a senhora francesa e logo de imediato pedi desculpas dizendo que me tinha esquecido de lhe dar um "baiser" (beijo, se formos ao diccionário) à dita senhora, a qual corando de imediato me respondeu: - "pas avec moi!!!".
Após gargalhada geral foi-me explicado que aquilo que eu tinha dito era, e agora irei dizer de forma a não provocar constrangimento a quem quer que seja que vá ler este post, um convite para ir para a cama com a senhora. Bem dessa vez quem corou fui eu pois não estava nas minhas intenções dar tal prazer a essa dita senhora, ainda por cima francesa, pois se ao menos se tratasse de uma compatriota, todos nós temos que fazer alguns sacrifícios pela pátria e se tivesse de ser eu a ter que fazê-lo, paciência... era pela minha pátria!...
Até breve, espero eu com mais algumas "difficultés da vida" vividas nesta aventura... in the merde.

Um comentário:

missionary disse...

estou a imaginar-te! a corar de vergonha e, realmemte, constrangimento!!! velhinha? franciu? desolé! pas avec toi, 4 sure!!! continua, estiveste em grande! :)