Pois é, para além de todas as peripécias pelas quais todos nós passámos um pouco, nomeadamente para arranjar um cantinho ao qual tentamos chamar de lar, mas o qual acaba por ser o nosso refúgio, encontrámos também a dificuldade da língua. Já foi tempo em que o francês era considerada a segunda língua em Portugal, mas que logo após o 25 de Abril foi destituída pela língua inglesa, ou melhor dizendo pelo dialecto americano.
No meu caso, ainda relembrava de alguns "mots", pelo que apenas sentia a dificuldade normal na construção das frases para não falar do "accent". Sempre que me dirigia a alguém era a frustação que se apoderava de mim, pois tinha que repetir sempre duas e três vezes e no fim se tinha p.ex. pedido uma cerveja apareciam-me logo com uma bebida que era tudo menos bière.
Já para não falar das ditas traduções à letra ou então por semelhança, como foi o meu caso, pois nos primeiros dias de estadia sempre que ia tomar café perguntava: c'est quand? - diga-se desde já tradução exemplar, pois de: quanto é? passei para algo do tipo: - para quando?, imaginem já a cara de admiração das serveuses e dos serveurs quando eu com o meu ar todo inocente e ao mesmo tempo de contente por achar que estava a falar o francês tal como se tivesse acabado de terminar uma pós-graduação em língua francesa.
Mas a melhor de todas foi ao fim de alguns meses. Entrei eu num café onde estavam algumas compatriotas, todas elas senhoras muito simpáticas e de idade, digamos ligeiramente adiantada, e que se encontravam acompanhadas de uma senhora essa sim de nacionalidade francesa. Quando terminei de as cumprimentar, eis que me apercebo que tinha cometido o erro de não cumprimentar a senhora francesa e logo de imediato pedi desculpas dizendo que me tinha esquecido de lhe dar um "baiser" (beijo, se formos ao diccionário) à dita senhora, a qual corando de imediato me respondeu: - "pas avec moi!!!".
Após gargalhada geral foi-me explicado que aquilo que eu tinha dito era, e agora irei dizer de forma a não provocar constrangimento a quem quer que seja que vá ler este post, um convite para ir para a cama com a senhora. Bem dessa vez quem corou fui eu pois não estava nas minhas intenções dar tal prazer a essa dita senhora, ainda por cima francesa, pois se ao menos se tratasse de uma compatriota, todos nós temos que fazer alguns sacrifícios pela pátria e se tivesse de ser eu a ter que fazê-lo, paciência... era pela minha pátria!...
Até breve, espero eu com mais algumas "difficultés da vida" vividas nesta aventura... in the merde.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
estou a imaginar-te! a corar de vergonha e, realmemte, constrangimento!!! velhinha? franciu? desolé! pas avec toi, 4 sure!!! continua, estiveste em grande! :)
Postar um comentário